A MARCHA

Gustavo Hoffay – Agente Social

Nikolas Ferreira, o jovem deputado federal pelo Partido Liberal, evangélico, bacharel em Direito e ex-vereador da capital mineira, em apenas três anos de mandato vem ganhando notoriedade nacional e enquanto surfa numa onda impulsionada por mais de um milhão e meio dos votos que recebeu no ano de 2.002. Dono de uma personalidade ímpar e bem mais ativo até mesmo entre parlamentares mais antigos como Serra, Erundina e Benedita entre outras dezenas de tarecos que habitam o Congresso Nacional, aquele jovem vem se tornando um legislador que dá a nítida impressão de lavar a alma política de dezenas de milhões de eleitores insatisfeitos com o atual (des)governo federal, obtendo integral apoio dos mesmos e censurando as observâncias politicas hipócritas e demasiadamente demagogas de Luís Inácio & Cia. Dono de uma oratória que destaca-se de maneira a engajar-se naquilo que está presente em corações e mentes da grande maioria do povo brasileiro, Nikolas já tem um necessário e irrestrito apoio para conduzir uma práxis revolucionária numa consciente oposição àquele provisório inquilino do Palácio do Planalto. Antes sequer de completar trinta anos de idade, aquele jovem politico com milhões de positivas avaliações em todo o Brasil, nascido e criado na favela Cabana do Pai Thomás em Belo Horizonte e onde atuei enquanto servidor da secretaria municipal de Ação Social nos anos oitenta, demonstra-se suficientemente forte para despertar em milhões de compatriotas os seus anseios por um Brasil mais justo e fraterno. Sabe-se desde muito tempo que a velha política nacional vem causando perplexidade na grande maioria dos eleitores, que sequer sabe em quem depositar a sua esperança em seus representantes no Congresso Nacional, um local onde o pluralismo de ideias e ações é subjetivista, individualista e muito distante daquilo que o eleitor consciente espera do mesmo; um órgão que se fragmenta com graves prejuízos para eleitores assombrados e o que, por consequência, contribui para colocar em relevo políticos que se destacam simplesmente por suas ações em prol do desejo de milhões de eleitores espalhados por todo o território nacional. Políticos da índole de um Nikolas Ferreira têm a coragem de crer que o seus mandatos devem superar as mais positivas expectativas dos seus eleitores e simpatizantes, sem se preocuparem (demais) com ataques a eles direcionados, muitas vezes de forma demoníaca, por não poucos dos seus colegas no Congresso Nacional e inconformados com a sua supimpa trajetória, fundamentada numa inversão da tradicional, desgastada e retrograda politica conduzida pelos velhos coronéis e barões, sobreviventes do antigo controle de votos por latifundiários através do clientelismo e do “voto de cabresto”. Na qualidade de capacitados eleitores não devemos, jamais, adaptarmo-nos à mentalidade de políticos que fazem dos seus respectivos mandatos uma espécie de capitania hereditária e que imaginam poder conduzir suas legislaturas achando que está tudo bem, enquanto iludem eleitores com discursos emotivos, pontuais e de caráter estritamente populista, levando às mãos os seus peculiares e respectivos cabrestos. Com efeito a caminhada promovida e puxada pelo jovem deputado Nikolas defronta com uma lamentável realidade da velha ideologia política nacional e onde um clima de ódio e perseguições a adversários de legislatura urge ser enfrentada e vencida, dada a sua inconciliabilidade com a democracia e os valores éticos e cristãos do povo brasileiro. Enfim, uma caminhada histórica e que certamente Luís Inácio, contrariado, levará em sua bagagem quando em seu próximo encontro com Donald Trump, como prova de uma manifestação popular contra o governo mais infiel aos princípios republicamos de todos os tempos em nosso Brasil, um corrupto comprovado, inescrupuloso, sem limites e conforme já amplamente comprovado por milhões de pessoas em todo o mundo, menos por alguns políticos, jornalistas e juristas tupiniquins.

TERROR E SEXO

Gustavo Hoffay – Agente Social

Excetuo da minha acusação, os poucos canais televisivos que dedicam a sua programação à educação e à cultura e que, de alguma maneira, contribuem para a elevação dos valores dos seus telespectadores; não quero generalizar. Acuso, sim, algumas reconhecidas emissoras e tendo por testemunha a grande maioria da nossa sociedade, pelos seus muitos delitos e tendo por vitrina quem assiste passivamente o que derramam dentro das nossas casas. Acuso-as de descumprir o que determina o que foi acordado com o governo federal, quando adquiriram as suas respectivas concessões ou seja: informar, educar, conscientizar e divertir. O que temos assistido contraria muito daquilo que teoricamente seria a razão pela qual foram criadas. Abusando do seu poder de persuasão e penetração, algumas emissoras destroem o que famílias e outras instancias pedagógicas procuram construir. Em primeiro lugar o lucro. Sedentas de público e consequente aumento do seu lucro, tais emissoras ministram fartamente à sua clientela os dois ingredientes que mais fomentam as suas receitas: pornografia e violência! Não seria exagero admitirmos que a TV brasileira, com raríssimas exceções- está formando uma geração de voyeurs e imbecilizando faixas inteiras da população. Sim, gerações de autênticos debiloides que se comprazem com o mau gosto, a idiotice, palavras e modos absolutamente desprezíveis; um repertório de boçalidades em nome do lucro fácil. Os mais autênticos e inalienáveis valores morais estão sendo demolidos, dissolvidos na consciência do telespectador. Amor, fidelidade, renúncia e respeito vem sendo assustadora e quotidianamente desvalorizados, inclusive por algumas telenovelas que exploram o incesto, o adultério, a dissolução de casamentos e o deboche. A corrupção de menores em virtude de uma programação de baixíssima categoria moral, já ocorre em horários nobres e quando a maioria das famílias está em torno da TV. Programas diversos que disseminam práticas e ritos ligados a cultos os mais estranhos, estão ao alcance dos olhos de crianças e jovens totalmente despreparados para discernirem a respeito e por conseguinte levando-os a um desequilíbrio psíquico. Aos poucos e sempre mais a programação de algumas emissoras de TV vem instalando em lares diversos uma concepção totalmente aética de vida, explorando o trunfo do roubo, dos golpes, do lucro fácil e do estelionato, enquanto ganhando telespectadores que adoram assistir as aventuras de uma burguesia em decomposição. Alguém poderia dizer que tudo isso também está ao alcance dos jovens pela Internet, porém essa é para um público ativo; passivamente ainda são milhões e milhões que deixam-se seduzir pelas produções que exploram suspense, terror e sexo….infelizmente.

MOVIMENTOS SOCIAIS

João Batista Domingues Filho
Cientista Político – Professor UFU/INCIS

A democracia pressupõe pluralismo político e social, condição essencial do modelo que Robert Dahl denomina poliarquia. Democracia política e governo democrático são sustentados por uma sociedade que apresenta condições de influência política plural, com uma pluralidade de associações na sociedade civil, entendida como esfera distinta do Estado e dotada de autonomia em relação a ele. A competição política é aberta e estável em termos institucionais e normativos, com grupos de interesse concorrentes e participação social ampla, para influenciar a ação e a tomada de decisão pelo Estado democrático de direito.
Movimentos sociais, numa democracia pluralista, expressam oportunidades de participação política na vida social de um povo, podendo produzir efeitos de integração, contestação e transformação social, ao mudar normas e valores por meio de seus agentes e atores sociais e ao generalizar seus objetivos, incluindo setores mais amplos que transcendam o contexto de onde surgiram. Não são, porém, fenômenos exclusivos das democracias: manifestam-se também em regimes autoritários e híbridos, seja reivindicando direitos e mudanças, seja enfrentando diferentes formas de repressão.
Fatos históricos: anos 60, movimento estudantil, movimentos pelos direitos civis e movimentos pela paz. Nos países então chamados de Terceiro Mundo — expressão hoje frequentemente substituída, conforme o contexto, por Sul Global —, movimentos de libertação nacional. Nos anos 70 e início dos anos 80, América do Norte e Europa: movimentos de mulheres e feministas, ecológicos, antinucleares, pela paz e de autonomia regional. Na China, foi reprimido o movimento de democratização e, na Europa Oriental, movimentos populares contribuíram para a derrubada dos regimes comunistas.
Quando este artigo foi originalmente publicado, em março de 2011, o Norte da África e o Oriente Médio viviam as revoltas que se tornariam conhecidas como Primavera Árabe. A queda de regimes autoritários na Tunísia e no Egito alimentava fortes expectativas de democratização. O desenvolvimento posterior mostrou, entretanto, trajetórias muito distintas. A Tunísia iniciou uma transição democrática, realizou eleições multipartidárias e promulgou uma nova Constituição em 2014, mas passou por forte regressão institucional a partir de 2021. Em outros países ocorreram restauração autoritária, repressão, conflitos internos ou guerras. A experiência demonstrou que a mobilização social pode abrir possibilidades de transformação, sem assegurar, por si só, a consolidação da democracia.
No Brasil, as Jornadas de Junho de 2013 tornaram-se outro marco da mobilização contemporânea. Iniciadas em torno da contestação ao aumento das tarifas do transporte público, rapidamente ampliaram suas pautas e sua abrangência. As manifestações evidenciaram também a crescente importância das redes digitais na convocação, circulação de informações e organização dos protestos, além da possibilidade de uma mesma onda de mobilização reunir grupos, reivindicações e orientações políticas distintas.
Movimentos sociais buscam realizar mudanças de estruturas institucionais, modos de vida e de pensar, desafiam normas e códigos morais, disputando valores, direitos e interpretações da realidade social. Seus resultados, contudo, não são predeterminados: podem conquistar reformas e direitos, alterar valores culturais, perder capacidade de mobilização, ser incorporados pelas instituições ou provocar movimentos de reação.
Paradigmas teóricos dos movimentos sociais: neomarxismo, pela contradição estrutural entre capital e trabalho; interacionismo, pelo conflito enquanto processo de interação para reconstruir coletividades; estrutural-funcionalismo, com as teorias de massa, tensão estrutural e privação relativa; e mobilização de recursos, abordagem em que predomina o raciocínio estratégico-instrumental. A esses referenciais acrescentaram-se abordagens centradas na identidade coletiva e nos novos movimentos sociais, nas oportunidades políticas, nos enquadramentos interpretativos e nas redes de ação coletiva.
Nas últimas décadas, a internet e as plataformas digitais modificaram profundamente os repertórios de mobilização. Bennett e Segerberg denominaram “ação conectiva” formas de participação nas quais indivíduos compartilham causas, mensagens e conteúdos em redes digitais, muitas vezes sem depender das estruturas hierárquicas das organizações tradicionais. Movimentos como Black Lives Matter, articulado a partir de 2013; a difusão internacional do #MeToo, especialmente a partir de 2017; e o movimento climático Fridays for Future, iniciado em 2018, exemplificam novas combinações entre mobilização nas ruas e comunicação em rede.
A tecnologia, entretanto, produz efeitos contraditórios. Se amplia a capacidade de organização, comunicação e difusão das mobilizações, também pode ser empregada em vigilância, censura, perseguição de ativistas, desinformação e outras formas de repressão digital. As redes sociais tornaram-se, assim, também espaços de disputa por visibilidade, influência e legitimidade.
Movimentos sociais apresentam comportamento coletivo conflitivo, constroem identidades, definem oponentes e mobilizam recursos, mudando códigos culturais e ultrapassando, em muitos casos, a experiência baseada exclusivamente na classe econômica. Questões raciais, de gênero, ambientais, culturais, territoriais e de direitos humanos passaram a ocupar posição central em numerosas mobilizações contemporâneas, sem que tenham desaparecido os conflitos relacionados ao trabalho, à renda e às desigualdades econômicas.
A democracia pluralista com movimentos sociais oferece condições institucionais favoráveis à livre organização e manifestação da sociedade. A experiência contemporânea, entretanto, recomenda distinguir mobilização social de mobilização necessariamente democrática: movimentos podem defender e ampliar direitos e liberdades, mas também podem apoiar projetos que enfraqueçam instituições e garantias democráticas. Impõe-se a aceitação da diversidade: direito do “outro” existir democraticamente referenciado.
Num mundo interdependente e culturalmente plural, a defesa dos direitos humanos, das liberdades políticas, da participação e da dignidade das pessoas permanece fundamental. A vitalidade dos movimentos sociais depende da possibilidade de expressão da diversidade e da existência de espaços nos quais demandas coletivas possam disputar legitimamente os rumos da sociedade e do Estado.

Voto secreto

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira – Economista – RJ

Diz a nossa lei eleitoral que o voto é secreto. Legal mas ninguém cumpre e me senti hoje no dever fazer considerações sobre como votarei. Sou leitor assíduo de cartas de leitores de diversos jornais, sendo que 2 deles os de maior circulação no país. Tenho notado por parte dos leitores uma abominação unânime relativamente ao candidato Flávio Bolsonaro bem como o endeusamento do candidato Lula. Com relação ao candidato Flávio até concordo com a maioria das críticas mas discordo frontalmente do endeusamento de Lula. Porque restou comprovado em todas as instâncias os crimes que o mesmo cometeu. Assim abomino o candidato Lula e lutarei para que ele não seja reeleito. Flávio ainda não foi julgado nem condenado por qualquer crime e portanto julgo ser merecedor de uma oportunidade. Isto posto, nem preciso declarar meu voto até porque o voto é secreto.

Suplentes?

Tania Tavares – Professora – SP

Será que nós paulistanos e paulistas vamos cair no golpe de votar para o senado Simone Tebe, Marina Silva e outros candidatos? São candidatas(os) ao senado, mas se forem eleitos não ficarão no cargo e serão substituídos pelos suplentes e “convidadas(os)” para algum Ministério, e os verdadeiros indicados serão do PT e outros partidos aliados a ele? Nos Poupem!

VELHICE

José C. Martelli – Advogado e professor

“A velhice é muito boa. Só tem um defeito, dura muito pouco.” – Norberto Brablio
“Velho é quem tem um ano a mais do que eu”- Magalhães Pinto
“Estou com saudades de meus oitenta anos” – Picasso ao 90 anos
“Que mais queres além de versos, músicas e mulheres/ Vinhos…vinho que é meu fraco! Evoé Baco.” –Manuel Bandeira

VIVER EM FAMÍLIA – envelhecer bem
Deus, em sua infinita sabedoria, deu-nos uma família para que, em seu meio desfrutássemos as dádivas do amor e do aprendizado. Os pais criam os filhos e os filhos cuidam dos pais. Criar os filhos é uma tarefa que os pais realizam, às vezes bem, às vezes não tão bem, mas é sempre um dom.
Cuidar dos pais, porém, é uma tarefa muito difícil. Muitos pais, à medida em que envelhecem, ficam mais tristonhos, dependentes, birrentos. Às vezes adoecem, tornando-se um peso na vida dos filhos. Como não estamos preparados para lidar com idoso, vemos esta realidade como um mal em nossas vidas. Esquecemos que as crianças, adolescentes e adultos também têm seus problemas, suas dores, e nem por isso, são menos importantes. Todas as etapas da vida humana têm suas características que fazem de nós seres especiais. Cuidar dos pais no seio da família é cuidar de Deus que se revela também no semblante dos idosos.
Daniel França – Psicóloga da 3ª Idade – Rio de Janeiro (RJ)

UMA HOMENAGEM À TURMA DE CABELOS BRANCOS
Um jovem muito arrogante que estava assistindo a um jogo de futebol, tomou para si a responsabilidade de explicar a um senhor já maduro, próximo dele, porque era impossível a alguém da velha geração entender esta geração.
“Vocês cresceram em um mundo diferente, um mundo quase primitivo!”, o estudante disse alto e claro de modo que todos em sua volta pudessem ouvi-lo.
“Nós, os njovens de hoje crescemos com internet, celular, aviões a jato, viagens espaciais, homens caminhando na Lua, nossas espaçonaves visitando Marte. Nós temos energia nuclear, carros elétricos, e a hidrogênio, computadores com enorme capacidade de armazenamento e….” fez uma pausa pra tomar um gole de cerveja.
O senhor se aproveitou do intervalo e do gole para interromper a liturgia do estudante em sua ladainha e disse:
– Você está certo filho. Nós não tivemos essas coisas éramos jovens porque estávamos ocupados em cria-las para as novas gerações.
E você, um jovem arrogante dos dias de hoje, o que está fazendo para a próxima geração?
Texto recebido da amiga Edina Rocha.

Voto secreto

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira

Diz a nossa lei eleitoral que o voto é secreto. Legal mas ninguém cumpre e me senti hoje no dever fazer considerações sobre como votarei. Sou leitor assíduo de cartas de leitores de diversos jornais, sendo que 2 deles os de maior circulação no país. Tenho notado por parte dos leitores uma abominação unânime relativamente ao candidato Flávio Bolsonaro bem como o endeusamento do candidato Lula. Com relação ao candidato Flávio até concordo com a maioria das críticas mas discordo frontalmente do endeusamento de Lula. Porque restou comprovado em todas as instâncias os crimes que o mesmo cometeu. Assim abomino o candidato Lula e lutarei para que ele não seja reeleito. Flávio ainda não foi julgado nem condenado por qualquer crime e portanto julgo ser merecedor de uma oportunidade. Isto posto, nem preciso declarar meu voto até porque o voto é secreto.

Inscrições para concurso público estadual

Prazo de inscrições para concurso público para a carreira de EPPGG termina na próxima segunda, 28/9
Candidatos classificados nas duas primeiras etapas cursam graduação em Administração Pública para obtenção de aprovação formal e nomeação
Belo Horizonte, 22/9/2026 – Termina na próxima segunda-feira, 28 de setembro, o prazo de inscrições para o concurso público para a carreira de Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG). O edital que regulamenta o certame está disponível nos sites da Fundação João Pinheiro e da Fundação Cefetminas. A taxa de inscrição é de R$ 65.
Para participar do concurso público, os interessados deverão, obrigatoriamente, realizar as provas do Exame Nacional do Ensino Médio – Enem 2026, válido como primeira etapa do concurso público. Os candidatos classificados são convocados para a segunda etapa do concurso, que consiste na habilitação documental. Aqueles aprovados dentro do limite de vagas ingressam no curso de graduação em Administração Pública, que é a terceira etapa do certame.
Ao concluir a graduação, que tem duração de quatro anos, o candidato que cumprir todos os requisitos previstos no edital é nomeado para o cargo de EPPGG para atuação em um dos órgãos do poder Executivo de Minas Gerais.
Todas as atualizações e publicações oficiais sobre as próximas etapas do concurso público devem ser acompanhadas pelos canais oficiais da Fundação João Pinheiro e da Fundação CEFETMINAS.
Fundação João Pinheiro | Assessoria de Comunicação

Esvaziando as gavetas

Ana Maria Coelho Carvalho – Bióloga

Li, na revista Veja Rio, em agosto/26, um texto de Kika Gama Lobo. A autora escreve que existe uma nova religião circulando por aí: a longevidade. Todos fascinados pela ideia de chegar aos 90, aos100 anos, encarando o envelhecimento como ele aparece nas redes sociais: cabelos brancos charmosos, corpos sarados, viagens, vinhos, sexo, pilates, empreendedorismo depois dos 60 anos. E aquela frase perigosa:” A idade está apenas na cabeça”.

Mas não. A idade está por toda parte: na conta bancária, no plano de saúde, na solidão da noite, na memória que falha, na filha que mora em outro país, no filho que não tem tempo de cuidar de ninguém, no remédio caro, no cuidador que custa uma fortuna, nas dores no corpo.

A autora argumenta que, para quem quiser viver muito, é preciso começar seu planejamento bem antes dos 70: construir patrimônio, cuidar do corpo e da cabeça, discutir herança, organizar documentos. E, sobretudo, aprender a pedir ajuda, construir uma rede, pois ninguém envelhece sozinho. Caso contrário, o tão sonhado presente da longevidade pode se transformar em uma longa travessia de abandono.

Já a médica e escritora Ana Cláudia Quintana, autora do best-seller A morte é um dia que vale a pena viver, afirma, sem rodeios, que todos deveriam se preparar para a própria morte e falar sobre esse assunto com naturalidade com amigos e familiares. Pode ser no almoço do domingo, na pizza de sábado à noite…Uma conversa difícil, mas necessária, e que pode mudar para melhor o desfecho de uma vida.

Ainda sobre velhice e morte, recentemente assisti a uma palestra cujo tema era o perdão. O palestrante ressaltou o quanto é inútil e prejudicial guardar mágoas e ressentimentos de alguém. Você fica sofrendo, remoendo a raiva, enquanto, muitas vezes, a outra pessoa nem sabe que você está magoado com ela. Disse que a velhice precisa nos ensinar, precisa nos corrigir. E lançou uma pergunta:

-Quantos anos você tem?

Ressaltou que deveríamos responder pensando nos anos que ainda temos pela frente: oito? cinco? um? Então, não podemos desperdiçar este tempo precioso guardando raiva e rancor. Continuando, disse que não adianta deixar de pensar na morte. Ela vai chegar. E perguntou:

-Quando você morrer, quem vai chorar?

Respondeu que provavelmente os filhos e talvez alguns netos, se você tiver. Bisnetos já não se importam tanto. E, daqui a 100 anos, se você não tiver sido uma pessoa famosa, ninguém se lembrará que você existiu.

Concluiu que os velhos não podem perder tempo com coisas inúteis ou ruins, como guardar rancor e mágoa. O melhor caminho é o perdão, para seguir o restante da vida com mansidão, paz e amor no coração.

Assim, prometi a mim mesma começar a fazer algum planejamento para minha velhice e minha morte. Iniciaria pelo item “organizar documentos”, sugerido no texto de Kika Gama.

Era hora de limpar as gavetas entulhadas de papéis e documentos desnecessários. Abri uma delas e logo vi um pequeno pacote de folhas amareladas, preso por um elástico. Peguei duas folhas dobradinhas e as abri.

Deus do céu!

Era uma carta que eu havia escrito para o Zé, meu finado marido, que, naquela época, morava em Uberlândia.

No alto, com letra caprichada, estava escrito: “Campos Altos, 1º de outubro de 1969”.

Quase sessenta anos!

Uma relíquia.

E logo abaixo, na saudação: “Querido noivinho:”

No corpo da carta, eu combinava com ele, detalhadamente, os últimos arranjos para o nosso casamento, que seria no dia 18 daquele mês, em Pará de Minas. Havia até um acróstico que escrevi com o nome dele: José.

Expliquei que provavelmente aquela seria a nossa última carta, pois, depois, “viveremos juntos até que a morte nos separe”, conforme escrevi.

Nossa, como fiz uma previsão dessa e deu certo mesmo?

Só nos separamos 51 anos depois, com a morte dele.

Como eu poderia jogar no lixo uma carta assim?

Ainda mais porque, por acaso, havia lido recentemente um texto intitulado Do fundo do baú, em que se exaltava a maravilhosa forma de comunicação que é uma carta.

Por exemplo, pelo lado afetivo, a emoção de pensar que alguém, em algum cantinho do mundo, escolheu um papel, uma caneta e escreveu uma carta só para você.

Pelo lado histórico, cartas são capazes de registrar acontecimentos extraordinários, como a de Pero Vaz de Caminha e as do padre Manoel da Nóbrega, importantes documentos dos primeiros tempos do Brasil.

Do ponto de vista literário, podem ser verdadeiros tesouros, como as cartas trocadas entre Machado de Assis e Joaquim Nabuco, que revelam o diálogo entre dois grandes espíritos.

Por tudo isso, nunca que eu jogaria fora uma carta

Ainda mais uma carta de amor de quase 60 anos!

E assim, todos os meus planejamentos de velhice e morte foram por água abaixo.

Guardei a carta cuidadosamente de volta e fechei a gaveta. Afinal, há gavetas que não guardam papéis. Guardam pedaços da nossa vida.

Lembrei-me, então, de um texto atribuído a Mário Quintana:

“Eu moro em mim. Deixo sempre as janelas entreabertas para sentir o sopro de raros afetos. A porta? Só abro para poucos. Todos os dias percorro meus cômodos, corredores e contemplo a vida pela varanda. Mas as gavetas…Ah…As gavetas? Ainda não dá para abri-las. Senão, acabo tendo que morar dentro delas”.

E talvez seja exatamente isso. Há gavetas que não devemos esvaziar.

Porque, às vezes, quando abrimos uma delas, não encontramos papéis velhos.

Encontramos quem fomos.

O diabo veste Toga!

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

O Supremo Tribunal Federal – STF sempre foi respeitado e sempre foi o guardião da Constituição Federal e dos três poderes constituídos da república brasileira. Como qualquer órgão oficial, nunca foi unanimidade, porém, caminhou pela democracia em momentos turbulentos de ditadura militar, no processo de redemocratização e nos anos que se seguiram.
Porém, bastou um único governo de extrema direita, negacionista, corrupto e as coisas mudaram no âmbito do Supremo. A partir das indicações de Kassio Nunes e André Mendonça por Jair Bolsonaro em 2020 e 2021, as coisas mudaram e para muito pior.
A indicação de dois evangélicos, terrivelmente bolsonaristas, levou aquela corte a viver dias conturbados, decisões estranhas, liberação e arquivamento de processos de pessoas ligadas a família Bolsonaro.
O Ministro André Mendonça foi escolhido para tomar a frente dos processos da roubalheira do INSS que começou e prosperou no governo Bolsonaro, com diversos Ex ministros como participantes da roubalheira. E do escândalo do Banco Master, conhecido como BolsoMaster pelo envolvimento direto de Flávio, Eduardo Bolsonaro, Mário Frias e outros políticos proeminentes do bolsonarismo.
Como esperado, o processo foi sendo direcionado para poder ser arquivado ou esquecido em alguma gaveta do STF. Ao invés de dar celeridade, Mendonça resolveu investigar quem nada tinha a ver com ambos os processos. Prejudicou as ações da Polícia Federal, escondeu o celular de Daniel Vorcaro alegando que continha coisas que não poderiam ser divulgadas, tentou afastar o diretor da PF das investigações.
Porém, simultaneamente foi deixando vazar aquilo que interessava a Flávio Bolsonaro e demais membros da quadrilha bolsonarista. Escondeu que os filhos de Luiz Fux e Kassio Nunes eram beneficiários de Vorcaro. Escondeu ou fez vista grossa a ligação de Dias Toffoli com empreendimento financiado pelo Banco Master em resorts.
Porém, aproveitou para atacar o colega Alexandre de Moraes, ministro odiado pelo bolsonarismo, por ter julgado Jair e caterva no processo de planejamento de golpe de estado e tentativas de assassinatos.
No caso, a esposa de Alexandre, advogada, trabalha num escritório que tinha entre seus clientes o Banco Master. Por este motivo está sendo atacado, julgado e demonizado. Ao mesmo tempo, André Mendonça, Rede Globo, e demais membros da mídia vira lata da extrema direita fingem não saber do envolvimento de André Mendonça com Daniel Vorcaro. O que deveria ter levado ao veto de sua participação nos julgamentos dos processos contra aquele banqueiro criminoso.
No Brasil, atualmente as coisas funcionam da seguinte forma: Se qualquer coisa possa ser utilizada contra Lula nas eleições ela será exaustivamente colocada em pauta. Porém, se crimes forem cometidos por Flávio Bolsonaro e aliados bolsonaristas, incluindo ministros do STF; silencio, cumplicidade e poucas linhas na mídia.
Se os envolvidos em escândalos no Brasil tivessem suas vidas esmiuçadas como foi a do Lulinha, filho do presidente, com certeza não haveria pedra sobre pedra no sistema. O André jamais deveria pedir investigação para um cidadão que sequer possui foro privilegiado, ao mesmo tempo que deveria ter investigado à exaustão todos os reais envolvidos nos escândalos citados.
Ele poupou o Deputado Federal Mário Frias, o Prefeito de São Paulo, Rubens Nunes (MDB/SP), Eduardo Bolsonaro foragido nos EUA, cujas suspeitas são enormes de ter recebido milhões desviados do filme Dark Horse e tantos outros que estavam nas festas, orgias e reuniões com Daniel Vorcaro e foram por ele beneficiados com milhões. Sem esquecermos dos pastores evangélicos da Igreja (Lavanderia) da Lagoinha e do Deputado Fake News Nicolas Ferreira, beneficiário da utilização de aviões de Vorcaro.
O objetivo de André Mendonça é destruir Alexandre de Moraes e interferir no processo eleitoral, onde Lula disputa com o filho do presidiário as eleições para a presidência da república.
Em 14 de março de 2025, Daniel Vorcaro esteve na sede do Instituto Iter, em São Paulo, para uma reunião com André Mendonça. O próprio ministro confirmou que recebeu Vorcaro. A reunião teria sido articulada pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado Cezinha de Madureira, segundo as informações obtidas a partir das mensagens apreendidas pela Polícia Federal.
Por fim, uma alfaiataria é mencionada no caso envolvendo Daniel Vorcaro e o ministro André Mendonça por causa de uma suspeita de que o banqueiro teria pago ternos caríssimos para o magistrado. Um advogado ligado a Vorcaro teria afirmado, em áudio, que levou André Mendonça a uma alfaiataria em São Paulo para fazer um terno. Com certeza “O diabo veste Prada…ops, toga!