Inscrições para concurso público estadual

Prazo de inscrições para concurso público para a carreira de EPPGG termina na próxima segunda, 28/9
Candidatos classificados nas duas primeiras etapas cursam graduação em Administração Pública para obtenção de aprovação formal e nomeação
Belo Horizonte, 22/9/2026 – Termina na próxima segunda-feira, 28 de setembro, o prazo de inscrições para o concurso público para a carreira de Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG). O edital que regulamenta o certame está disponível nos sites da Fundação João Pinheiro e da Fundação Cefetminas. A taxa de inscrição é de R$ 65.
Para participar do concurso público, os interessados deverão, obrigatoriamente, realizar as provas do Exame Nacional do Ensino Médio – Enem 2026, válido como primeira etapa do concurso público. Os candidatos classificados são convocados para a segunda etapa do concurso, que consiste na habilitação documental. Aqueles aprovados dentro do limite de vagas ingressam no curso de graduação em Administração Pública, que é a terceira etapa do certame.
Ao concluir a graduação, que tem duração de quatro anos, o candidato que cumprir todos os requisitos previstos no edital é nomeado para o cargo de EPPGG para atuação em um dos órgãos do poder Executivo de Minas Gerais.
Todas as atualizações e publicações oficiais sobre as próximas etapas do concurso público devem ser acompanhadas pelos canais oficiais da Fundação João Pinheiro e da Fundação CEFETMINAS.
Fundação João Pinheiro | Assessoria de Comunicação

Esvaziando as gavetas

Ana Maria Coelho Carvalho – Bióloga

Li, na revista Veja Rio, em agosto/26, um texto de Kika Gama Lobo. A autora escreve que existe uma nova religião circulando por aí: a longevidade. Todos fascinados pela ideia de chegar aos 90, aos100 anos, encarando o envelhecimento como ele aparece nas redes sociais: cabelos brancos charmosos, corpos sarados, viagens, vinhos, sexo, pilates, empreendedorismo depois dos 60 anos. E aquela frase perigosa:” A idade está apenas na cabeça”.

Mas não. A idade está por toda parte: na conta bancária, no plano de saúde, na solidão da noite, na memória que falha, na filha que mora em outro país, no filho que não tem tempo de cuidar de ninguém, no remédio caro, no cuidador que custa uma fortuna, nas dores no corpo.

A autora argumenta que, para quem quiser viver muito, é preciso começar seu planejamento bem antes dos 70: construir patrimônio, cuidar do corpo e da cabeça, discutir herança, organizar documentos. E, sobretudo, aprender a pedir ajuda, construir uma rede, pois ninguém envelhece sozinho. Caso contrário, o tão sonhado presente da longevidade pode se transformar em uma longa travessia de abandono.

Já a médica e escritora Ana Cláudia Quintana, autora do best-seller A morte é um dia que vale a pena viver, afirma, sem rodeios, que todos deveriam se preparar para a própria morte e falar sobre esse assunto com naturalidade com amigos e familiares. Pode ser no almoço do domingo, na pizza de sábado à noite…Uma conversa difícil, mas necessária, e que pode mudar para melhor o desfecho de uma vida.

Ainda sobre velhice e morte, recentemente assisti a uma palestra cujo tema era o perdão. O palestrante ressaltou o quanto é inútil e prejudicial guardar mágoas e ressentimentos de alguém. Você fica sofrendo, remoendo a raiva, enquanto, muitas vezes, a outra pessoa nem sabe que você está magoado com ela. Disse que a velhice precisa nos ensinar, precisa nos corrigir. E lançou uma pergunta:

-Quantos anos você tem?

Ressaltou que deveríamos responder pensando nos anos que ainda temos pela frente: oito? cinco? um? Então, não podemos desperdiçar este tempo precioso guardando raiva e rancor. Continuando, disse que não adianta deixar de pensar na morte. Ela vai chegar. E perguntou:

-Quando você morrer, quem vai chorar?

Respondeu que provavelmente os filhos e talvez alguns netos, se você tiver. Bisnetos já não se importam tanto. E, daqui a 100 anos, se você não tiver sido uma pessoa famosa, ninguém se lembrará que você existiu.

Concluiu que os velhos não podem perder tempo com coisas inúteis ou ruins, como guardar rancor e mágoa. O melhor caminho é o perdão, para seguir o restante da vida com mansidão, paz e amor no coração.

Assim, prometi a mim mesma começar a fazer algum planejamento para minha velhice e minha morte. Iniciaria pelo item “organizar documentos”, sugerido no texto de Kika Gama.

Era hora de limpar as gavetas entulhadas de papéis e documentos desnecessários. Abri uma delas e logo vi um pequeno pacote de folhas amareladas, preso por um elástico. Peguei duas folhas dobradinhas e as abri.

Deus do céu!

Era uma carta que eu havia escrito para o Zé, meu finado marido, que, naquela época, morava em Uberlândia.

No alto, com letra caprichada, estava escrito: “Campos Altos, 1º de outubro de 1969”.

Quase sessenta anos!

Uma relíquia.

E logo abaixo, na saudação: “Querido noivinho:”

No corpo da carta, eu combinava com ele, detalhadamente, os últimos arranjos para o nosso casamento, que seria no dia 18 daquele mês, em Pará de Minas. Havia até um acróstico que escrevi com o nome dele: José.

Expliquei que provavelmente aquela seria a nossa última carta, pois, depois, “viveremos juntos até que a morte nos separe”, conforme escrevi.

Nossa, como fiz uma previsão dessa e deu certo mesmo?

Só nos separamos 51 anos depois, com a morte dele.

Como eu poderia jogar no lixo uma carta assim?

Ainda mais porque, por acaso, havia lido recentemente um texto intitulado Do fundo do baú, em que se exaltava a maravilhosa forma de comunicação que é uma carta.

Por exemplo, pelo lado afetivo, a emoção de pensar que alguém, em algum cantinho do mundo, escolheu um papel, uma caneta e escreveu uma carta só para você.

Pelo lado histórico, cartas são capazes de registrar acontecimentos extraordinários, como a de Pero Vaz de Caminha e as do padre Manoel da Nóbrega, importantes documentos dos primeiros tempos do Brasil.

Do ponto de vista literário, podem ser verdadeiros tesouros, como as cartas trocadas entre Machado de Assis e Joaquim Nabuco, que revelam o diálogo entre dois grandes espíritos.

Por tudo isso, nunca que eu jogaria fora uma carta

Ainda mais uma carta de amor de quase 60 anos!

E assim, todos os meus planejamentos de velhice e morte foram por água abaixo.

Guardei a carta cuidadosamente de volta e fechei a gaveta. Afinal, há gavetas que não guardam papéis. Guardam pedaços da nossa vida.

Lembrei-me, então, de um texto atribuído a Mário Quintana:

“Eu moro em mim. Deixo sempre as janelas entreabertas para sentir o sopro de raros afetos. A porta? Só abro para poucos. Todos os dias percorro meus cômodos, corredores e contemplo a vida pela varanda. Mas as gavetas…Ah…As gavetas? Ainda não dá para abri-las. Senão, acabo tendo que morar dentro delas”.

E talvez seja exatamente isso. Há gavetas que não devemos esvaziar.

Porque, às vezes, quando abrimos uma delas, não encontramos papéis velhos.

Encontramos quem fomos.

O diabo veste Toga!

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

O Supremo Tribunal Federal – STF sempre foi respeitado e sempre foi o guardião da Constituição Federal e dos três poderes constituídos da república brasileira. Como qualquer órgão oficial, nunca foi unanimidade, porém, caminhou pela democracia em momentos turbulentos de ditadura militar, no processo de redemocratização e nos anos que se seguiram.
Porém, bastou um único governo de extrema direita, negacionista, corrupto e as coisas mudaram no âmbito do Supremo. A partir das indicações de Kassio Nunes e André Mendonça por Jair Bolsonaro em 2020 e 2021, as coisas mudaram e para muito pior.
A indicação de dois evangélicos, terrivelmente bolsonaristas, levou aquela corte a viver dias conturbados, decisões estranhas, liberação e arquivamento de processos de pessoas ligadas a família Bolsonaro.
O Ministro André Mendonça foi escolhido para tomar a frente dos processos da roubalheira do INSS que começou e prosperou no governo Bolsonaro, com diversos Ex ministros como participantes da roubalheira. E do escândalo do Banco Master, conhecido como BolsoMaster pelo envolvimento direto de Flávio, Eduardo Bolsonaro, Mário Frias e outros políticos proeminentes do bolsonarismo.
Como esperado, o processo foi sendo direcionado para poder ser arquivado ou esquecido em alguma gaveta do STF. Ao invés de dar celeridade, Mendonça resolveu investigar quem nada tinha a ver com ambos os processos. Prejudicou as ações da Polícia Federal, escondeu o celular de Daniel Vorcaro alegando que continha coisas que não poderiam ser divulgadas, tentou afastar o diretor da PF das investigações.
Porém, simultaneamente foi deixando vazar aquilo que interessava a Flávio Bolsonaro e demais membros da quadrilha bolsonarista. Escondeu que os filhos de Luiz Fux e Kassio Nunes eram beneficiários de Vorcaro. Escondeu ou fez vista grossa a ligação de Dias Toffoli com empreendimento financiado pelo Banco Master em resorts.
Porém, aproveitou para atacar o colega Alexandre de Moraes, ministro odiado pelo bolsonarismo, por ter julgado Jair e caterva no processo de planejamento de golpe de estado e tentativas de assassinatos.
No caso, a esposa de Alexandre, advogada, trabalha num escritório que tinha entre seus clientes o Banco Master. Por este motivo está sendo atacado, julgado e demonizado. Ao mesmo tempo, André Mendonça, Rede Globo, e demais membros da mídia vira lata da extrema direita fingem não saber do envolvimento de André Mendonça com Daniel Vorcaro. O que deveria ter levado ao veto de sua participação nos julgamentos dos processos contra aquele banqueiro criminoso.
No Brasil, atualmente as coisas funcionam da seguinte forma: Se qualquer coisa possa ser utilizada contra Lula nas eleições ela será exaustivamente colocada em pauta. Porém, se crimes forem cometidos por Flávio Bolsonaro e aliados bolsonaristas, incluindo ministros do STF; silencio, cumplicidade e poucas linhas na mídia.
Se os envolvidos em escândalos no Brasil tivessem suas vidas esmiuçadas como foi a do Lulinha, filho do presidente, com certeza não haveria pedra sobre pedra no sistema. O André jamais deveria pedir investigação para um cidadão que sequer possui foro privilegiado, ao mesmo tempo que deveria ter investigado à exaustão todos os reais envolvidos nos escândalos citados.
Ele poupou o Deputado Federal Mário Frias, o Prefeito de São Paulo, Rubens Nunes (MDB/SP), Eduardo Bolsonaro foragido nos EUA, cujas suspeitas são enormes de ter recebido milhões desviados do filme Dark Horse e tantos outros que estavam nas festas, orgias e reuniões com Daniel Vorcaro e foram por ele beneficiados com milhões. Sem esquecermos dos pastores evangélicos da Igreja (Lavanderia) da Lagoinha e do Deputado Fake News Nicolas Ferreira, beneficiário da utilização de aviões de Vorcaro.
O objetivo de André Mendonça é destruir Alexandre de Moraes e interferir no processo eleitoral, onde Lula disputa com o filho do presidiário as eleições para a presidência da república.
Em 14 de março de 2025, Daniel Vorcaro esteve na sede do Instituto Iter, em São Paulo, para uma reunião com André Mendonça. O próprio ministro confirmou que recebeu Vorcaro. A reunião teria sido articulada pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado Cezinha de Madureira, segundo as informações obtidas a partir das mensagens apreendidas pela Polícia Federal.
Por fim, uma alfaiataria é mencionada no caso envolvendo Daniel Vorcaro e o ministro André Mendonça por causa de uma suspeita de que o banqueiro teria pago ternos caríssimos para o magistrado. Um advogado ligado a Vorcaro teria afirmado, em áudio, que levou André Mendonça a uma alfaiataria em São Paulo para fazer um terno. Com certeza “O diabo veste Prada…ops, toga!

Os Sessenta+

Tania Tavares – Professora – SP

Estas eleições para Presidente do Brasil estão mais uma vez polarizadas em torno de dois candidatos. Mas a turma do 60+, que já vivenciou alguns governos que não trouxeram saudades, podem fazer a diferença nestas eleições e votar diferente. Há candidatos que já foram testados como governadores em seus estados em dois mandatos e podem ser a alternativa que precisamos nesta eleição. Viva a democracia!

Tani

Língua brasileira

Recordanto Clarmundo Campos, o brilhante cronista que viveu muitos anos em Uberlândia

“Fiquei sabendo que a unificação do portugues ta perto de se tornar realidade. Não fiquei nem um tiquinho estusiasmado com aquela bobagem. Axo que devemos criar a nossa Lingua Brasileira, deixando pra la Portugal, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Sao Tome e Principe e Timor Leste. A Lingua Brasileira sera tao boa, logica e simples que os paises acima mencionados vao adota-la tambem, se nao forem bobos.

Estive para pedir a ajuda de um gramatico para fazer propaganda da Lingua Brasileira. Mas, pensei bem e saltei de banda: o divino, certamente, viria acompanhado de uma tal Etimologia. Vou dar poucos exemplos, ja que tou lidando com pessoas inteligentes, para as quais um pingo e letra. Ademais, o sentido do texto leva a pronuncia das palavras, como neste caso: gosto de ovo de coco e de agua de coco. Sera que voce tem coragem de comer coco, trem nojento e fedido?

O antipatico trema ja vai tarde, todos os acentos irao catar coquinhos bem longe. TODOS!!! A letra h sera empregada em palavras como telha, milha, enquanto o x vai trabalhar a beça: xato, xamar, xuxu… Nao se usara mais o ifem: exmarido, vicepresidente, arcoiris, predatado, antinflamatorio, preIstoria. Estoria nunca existiu e istoria e conto. Vamos imitar o alemão como em Volkswagen, escrevendo cinquentanos. Usaremos omem, com o plural omems.

Ha muita frescura no idioma dos portugueses. As tais concordancias… ta na hora de se misturar voce com te, como neste exemplo: “Voce axa que vou te contar onde a Maria mora?” O verbo estar vai virar tar: eu tou, voce ta, nos tamos.

As girias serao acatadas de bom grado na Lingua Brasileira. Muitas palavras estrangeiras serao abrasileiradas: site sera saite, que ninguem e obrigado a saber ingles, quando a diplomacia brasileira ta jogando ele pras baratas.

Uma vez topei uma dona muito letrada. Era uma sabia que sabia que sabia e um passaro que canta bonito pra xuxu. O amigao Popo deu-nos o prazer de sua visita. A Dalva nao pode oferecer-lhe um cafe. Nao tinhamos po. Agora, Popo, voce ta intimado a nos dar a onra de sua presença. E tomar um moca: ja temos po. Tamos te esperando.

Que beleza de patriotice, que lindo ufanismo quando o doutor onoris causa e outras causas Luiz Inacio Lula da Silva, em seus discursos de todos os dias, referindo-se ao Bush, afirmar: “Eu sou mais eu. Ele so fala inglês. Eu falo brasileiro em todas as linguas”, conforme uma tirada do genial Millor, na qual substitui portugues por brasileiro”.

O Brasil tem jeito?

Marília Alves Cunha – Educadora e escritora

Após o espetáculo que assistimos em reunião plenária do STF, realizada no último dia 15\9, para resolver questão relativa ao Ministro Alexandre de Moraes e suas incursões ao mundo podre de Vorcaro e Banco Master, a gente fica um pouco desanimada. Será possível continuar acreditando que um democrático, poderoso e justo Brasil poderia surgir, a continuarem estes acontecimentos que deturpam qualquer regime, qualquer capacidade de entendimento, qualquer significativo sinal de que as coisas vão dar certo, vão melhorar?

Para falar a verdade, nem parecia uma reunião do STF para deliberar sobre qualquer coisa. Gilmar mendes, Flávio Dino e o próprio Alexandre de Moraes acabaram por destruir restos de reputação da Corte quando, com a máxima imprudência e insensatez uniram-se para defender imperiosamente não a honestidade e honra de uma instituição, mas de um membro da Alta corte ou a si mesmo. Jogaram por terra tudo que se espera de um guardião da nossa Constituição.

O que temos visto no Brasil nos últimos tempos? Uma inundação de corrupção e escândalos inimagináveis varre o Brasil e, o pior, membros da Suprema corte e da PF envolvidos até o pescoço nestes acontecimentos. Momentos de vitória contra esta inundação se revelavam, quando André Mendonça, um Ministro terrivelmente evangélico, punha à mostra fatos que denunciavam a participação de membros da Suprema Corte no maior crime financeiro já visto no país. Mas neste país de peripécias jurídicas imperdoáveis, os investigadores tornam-se também investigados e muitas vezes são sujeitos a processos e situações que nada fizeram para promover.

A situação de Alexandre de Moraes face às investigações feitas, era o assunto principal do dia. A defesa do Ministro constava de 44 páginas, um amontoado de palavras muito criticadas, com um amontoado de erros de português, escrita parecida a mensagens de WhatsApp (deve ter sido feira por um estagiário inexperiente) e acusações a Mendonça de coisas que ele mesmo fez muitas vezes, desrespeitando o devido processo legal.

Tudo desabou quando Flávio Dino, intransigente na defesa do colega, percebendo que não iriam obter vitória, pediu vista do processo, mesmo já tendo declarado seu voto, tendo já encerrado sua participação, num gesto de suprema proteção e autoproteção. Moraes deve estar aliviado, respirando fundo. Se Flávio Dino não tivesse pedido vista, penso que o próprio Moraes teria pedido… Absurdo o que estou dizendo? Não! Alexandre de Moraes, o intocável, expediu voto em processo do qual ele era o julgado… E tudo bem! Você quer uma coisa mais absurda do que isto?

Um ministro, por enquanto, salvou a pele do outro. Já disse e repito: isto é colocar a autoproteção acima dos preceitos e regras constitucionais e acima de qualquer investigação quando se trata de ministros do STF e acima de qualquer tentativa de serem investigados. Que me perdoem os inocentes no caso, enquanto tivermos certos elementos manchando a grandiosidade de uma Suprema Corte, certamente não haverá maneiras de se fazer uma boa política e ver nosso país singrando por águas tranquilas.

As eleições estão aí, batendo à nossa porta. O último recurso do povo é eleger bons candidatos, aqueles que mostraram-se lutadores contra poderes que, indisfarçadamente ou não, mostraram a incompetência e a ânsia de poder pelo poder, aqueles que trabalharam contra o Brasil e não a favor dele. A minha esperança é que façamos escolhas inteligentes e que não morra nas urnas a esperança de um país mais iluminado e gentil para os brasileiros. O Brasil exige mudanças, com urgência.

Quando o dinheiro chega perto demais do poder

Diógenes Pereira da Silva – Oficial da Reserva da PMMG

Há perguntas que precisam ser feitas, principalmente quando envolvem dinheiro, poder e instituições da República.
O caso Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, revela uma extensa rede de relações com políticos, empresários e autoridades. Reportagens já vinham mostrando essa aproximação. A jornalista Malu Gaspar, de O Globo, foi uma das profissionais que investigaram o assunto e trouxeram informações importantes ao conhecimento público.
Com o avanço das investigações, novas mensagens e documentos apreendidos pela Polícia Federal ampliaram as dúvidas. Vieram a público informações sobre contatos com autoridades, eventos milionários, viagens internacionais e utilização de aeronaves relacionadas ao grupo empresarial.
Nada disso, isoladamente, comprova crime. Ter amizade, participar de um evento ou viajar em determinada aeronave não significa, por si só, corrupção ou tráfico de influência. Cabe às autoridades investigar e separar fatos comprovados de suspeitas.
Mas uma pergunta é inevitável: por que um banqueiro, cujo negócio busca lucro, gastaria tanto dinheiro para construir relações tão próximas com pessoas que ocupam posições estratégicas na República?
Outro episódio chama atenção: o financiamento do filme Dark Horse, produção realizada nos Estados Unidos sobre Jair Bolsonaro. Segundo informações divulgadas pela imprensa, Vorcaro teria destinado milhões de dólares ao fundo relacionado ao projeto. Novos dados divulgados em 1º de setembro apontam para mais um repasse de US$ 1,6 milhão, elevando o total atribuído a Vorcaro para cerca de US$ 12,3 milhões, aproximadamente R$ 63,7 milhões.
Também foram divulgadas informações sobre negociações envolvendo valores ainda maiores para a produção.
É preciso esclarecer: quem recebeu o dinheiro? Onde ele foi aplicado? Quais serviços foram efetivamente prestados? E por que um banqueiro decidiu investir tamanhos recursos em uma produção ligada à família de um ex-presidente?
São perguntas legítimas, independentemente de ideologia.
O mesmo vale para festas, viagens, aeronaves, contratos e relações com autoridades. Não se trata de condenar ninguém antecipadamente, mas de exigir transparência quando dinheiro privado e poder público passam a conviver tão proximamente.
E a régua precisa ser igual para todos.
Se o banqueiro fosse aliado de Lula, Bolsonaro, de um ministro do STF ou de qualquer outro grupo político, a pergunta deveria ser a mesma: até onde pode chegar a influência do dinheiro privado sobre as instituições públicas?
Que se investigue tudo. Sem proteger amigos e sem perseguir adversários.
Porque a República não pertence a banqueiros, políticos, ministros ou empresários.

Pertence ao cidadão.

E quando o dinheiro chega perto demais do poder, a sociedade tem o direito de perguntar:
Até onde esse dinheiro consegue chegar?

Não é bem assim

Ana Maria Coelho Carvalho – Bióloga

Fazenda lembra leite e queijo fresquinhos, gado no curral, cheiro de mato, canto de passarinhos, jabuticaba no pé, comida no fogão de lenha, céu estrelado. Natureza, paz e amor. Mas não é bem assim.
Por exemplo, só a viagem para chegar até a fazenda pode se transformar em uma epopeia. Como da vez que fui com o Zé (meu finado marido) dois filhos, dois netos, três cachorras e uma tranqueira. Começou com o planejamento: quem vai, no carro de quem, quantos cabem, sai e volta quando, quantidade de bagagem (item que inclui desde pneu de trator até veneno de rato). Os filhos médicos só poderiam sair à tarde e o Zé não concordou. Nunca transitaria à noite nos buracos enormes, tipo cratera, que existem na BR 365 nas proximidades de Pirapora, perigoso demais. Fomos e o Zé ficou, justo quem mais precisava ir. Iria à noite, de ônibus, pois assim passaria pelos buracos de manhã. Levamos a bagagem dele, só ficou um saquinho com os remédios para ele levar. Fomos bem, no carro Kia de sete lugares, com a cachorras perdigueiras Dama e Fiona quietinhas dentro da gaiola, a Duda latindo esporadicamente e o Breno, de dois anos, puxando o cabelo e dando uns beliscões na Maíra, de oito anos. Chegamos às 22 h na fazenda Água Verde, onde dormimos para continuar a viagem para a fazenda Olhos D’Agua no dia seguinte. Arrumei as camas, ajeitei a casa, as crianças e as bagagens. Os dois filhos saíram de madrugada, em outro carro, para uma fazenda onde eles têm um reflorestamento de eucaliptos, dormiriam por lá. Fiquei sozinha com os netos e com a incumbência de buscar o Zé na rodovia às seis horas, quando o ônibus passaria na porteira da fazenda. Acordei os netos e peguei a estradinha de terra. Esperamos um bom tempo e ele não chegou. Daí consegui receber uma mensagem do filho – lá o sinal de celular é muito ruim -, avisando que não precisava esperar porque o ônibus havia batido! Felizmente complementou que o Zé estava bem. E só, mais nada. O Zé chegou às 11h, de carona, nem sei como. Desceu do carro abatido e mancando. Perguntei: – “Nossa, Zé, você se machucou? ” E ele: -“Não, é a gota”. Cruzes, foi a primeira vez em 30 anos que ele foi de ônibus, o ônibus desta linha nunca havia batido, trombou em outro numa reta com asfalto sem buracos e a gota ainda “atacou” o joelho dele! Muito azar, e tudo porque se negou a ir de carro conosco. Para piorar, levou o saquinho de remédios errado, trocou tudo.
Continuando a saga, fiz almoço com o que tinha e fiquei por ali com os netos para o Zé dormir e descansar antes de seguirmos para pegar a balsa, atravessar o São Francisco e chegar ao destino final. Coloquei o Breno e a Maíra em cima de um trator velho. O Breno esbarrou o braço em uma caixa de marimbondos atrás do banco e foi um ataque em massa. Ele despencou, aos gritos, lá de cima. Eu fui muito ágil e consegui aparar a queda. Mas só no bracinho ele levou 27 ferroadas. Eu levei várias também. A Maíra correu como nunca e levou só uma, mas gritou como se fossem 50. Coitadinho do Breno, se fosse alérgico, teria morrido! Coloquei-o debaixo do chuveiro e dei novalgina, fazer o que . Com o berreiro, o Zé nem dormiu. Resolvemos seguir viagem e pegar a balsa das 15h. Colocamos as tranqueiras no carro novamente e lá
fomos, com o Breno apaixonado e choroso, mostrando com o dedinho o local das ferroadas. Tivemos que parar em uma cidadezinha para o Zé comprar os seus remédios, demorou muito e quase perdemos a balsa. Durante a travessia, quando estávamos quase na outra margem, olhei para o horizonte e vi uma tempestade escura se aproximando. Tão rápida quanto pude, coloquei os netos dentro do carro e a cachorrinha. Mas a chuva foi mais rápida e como era uma chuva de pedras, levei umas boas pedradas antes de conseguir entrar no carro.
Depois, pegamos uma estradinha de terra, com o Zé todo feliz por estar chovendo na fazenda. Quando chegamos, nem deu tempo de pensar:- “até que enfim!”-, pois a casa estava toda inundada, tinha goteira pra todo lado, descia água pelas paredes. A casa da sede é agradável e bonita, a Globo até filmou lá o curta metragem “Dia de Reis”. Mas neste dia estava um caos.
Tudo isso foi apenas para chegar. Teve muito mais. Por exemplo, a Dama tem medo de boi e de vaca. Encontrou alguns pelo pasto e saiu em disparada, desapareceu. Foi uma tristeza geral e muita busca, até que um dia, como mágica, ela apareceu na varanda, esfomeada. E a Fiona parece que pegou alguma virose por lá e morreu 15 dias depois que voltamos. Quando estava doente, nem tinha ânimo de sair atrás dos ninhos de galinha de Angola, que existem no condomínio onde meu filho mora. Pois a Dama encontrou um ninho, pegou um ovo com a boca e levou para a Fiona. Foi o último ovo que ela comeu. Coisas de cortar o coração.
Bem, sempre é bom prevenir antes de viajar para a fazenda. Pois sossego, paz e amor, só em sonhos.

Justiça fake

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira – Economista – RJ

Não é necessário ter formação ou conhecimento jurídico para fazer uma avaliação do que se passa no judiciário brasileiro. E simplifico minha teoria com uma única máxima. Hoje no Brasil não se faz justiça. Os representantes do judiciário estão na verdade se servindo da justiça em todos os aspectos desde o corporativismo até a locupletação. Então fica fácil para qualquer cidadão opinar sobre o caos instalado. O decano do STF estabeleceu que a régua para avaliar seus colegas do STF é a ética da Máfia . Então acabou o STF e em cadeia todo o sistema de justiça do país. Talvez nossa última esperança sejam as próximas eleições ou, não desejável, uma interferência externa. Que Deus nos proteja.

A orgia e a impunidade nacional!

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

Os políticos de partidos de extrema direita no Congresso Nacional, alguns Ministros do Supremo Tribunal Federal, algumas autoridades, alguns empresários nefastos que vivem criticando o governo, enquanto se beneficiam das isenções fiscais, transformaram Brasília e todo o andar de cima da República numa enorme orgia.
Uma orgia com tentáculos poderosos que consegue protege-los e ainda lhes dão impunidade plena. As denúncias se multiplicam, são áudios de candidato à presidência pedindo R$ 64 milhões ao então dono do Banco Master.
São áudios de deputado federal por MG, conversando com o dono do banco Master, onde demonstra tanta intimidade, que se refere a Daniel Vorcaro como “Dani”. Vejam que coisa meiga a relação entre corruptos. Ao povo desprezo ao banqueiro suspeito, o carinho e a doçura na voz melosa do deputado federal Nikolas.
Alguns jornalistas dizem que nos processos em mãos da Polícia Federal existem “ainda” vídeos alusivos às festas em resort com beldades estrangeiras, bebidas importadas e muita esbórnia. Voos em avião do banqueiro criminoso. O mesmo banqueiro que na eleição passada doou R$ 3 milhões a Jair (O presidiário) e R$ 2 milhões, ao atual governador de São Paulo, que agora concorre à reeleição.
Em comum, em todas as denúncias, estão três fatos que se repetem para nossa infelicidade:
1º Nada os atingem, por mais imoral que sejam os fatos e as denúncias, não serão investigados, julgados e condenados;
2º Os eleitores que diziam votar contra a corrupção, em 2014, 2018, 2022 e agora em 2026 irão dar seus votos a estes mesmos políticos corruptos enquanto recebem e espalham mentiras sobre Lulinha e o governo federal;
3º São estas pessoas do alto escalão da vida nacional que além da corrupção, querem perpetuar golpes em na nossa democracia, trair nossa pátria oferecendo riquezas aos EUA. São estes sanguessugas que não trabalham pela pátria nem pela sociedade em momento algum de seus mandatos.
A única solução para o Brasil é justamente aquela que obrigatoriamente tem de passar pelas mãos dos deputados federais e senadores, que jamais darão aval a uma reforma política completa nos três poderes da república. Começando por uma reforma política com a redução de 40% da Câmara Federal, com corte de assessores, redução de gastos e benefícios diversos aos deputados e senadores.
Enquanto isso, assistimos um enorme contingente da sociedade vivendo alheio a tudo isso e dando apoio e voto aos corruptos. Gente que acredita em mensagens disseminadas por aplicativos de mensagens espalhados pelos próprios políticos de direita, pastores e padres de suas igrejas, porém, não querem acreditar na verdade dos fatos.