Antonio Pereira – Jornalista e escritor – Uberlândia – MG

Alguns moços de Uberlândia, em 1935, se uniram para comprar a área confinada entre o rio Uberabinha, o córrego São Pedro e as terras de João de Oliveira, com o intuito de criarem um clube. Eram eles: José de Oliveira Guimarães, Mário Guimarães Faria, Lourival Borges, Oscar Miranda, Roman Balparda, Enéas de Oliveira Guimarães, Gercino Borges, Boulanger Fonseca, Floramante Garófalo, Hermes Carneiro, José Carneiro Jr. e Fausto Savastano.
Entre eles, dois eram estrangeiros, o português José de Oliveira Guimarães, comerciante, e o uruguaio Roman Balparda, industrial, exportador de línguas bovinas enlatadas.
Hermes, José Carneiro e Fausto venderam suas partes a José de Oliveira Guimarães. Esses doze são os pioneiros fundadores do Praia Clube.
Tão logo se decidiu organizar o clube, que recebeu o nome de “Praia” por possuir uma pequena clareira, à margem do rio, como se fosse uma praiazinha natural, de pequenos seixos, fizeram a reunião institucional na sede do Uberabinha Sport Club contando com a presença de vinte e quatro pessoas que elegeram sua primeira diretoria encabeçada pelo farmacêutico Cícero Macedo.
Não faltaram colaborações oferecidas neste dia: o prefeito Vasco Giffoni doou ao clube dois contos de réis; o sócio José Peppe, que fazia parte do Conselho Consultivo, doou a renda de um espetáculo cinematográfico no Cine Avenida, de que era gerente, e o dr. Luiz Rocha prometeu fazer gratuitamente a planta de um pavilhão, que foi a primeira construção dentro do clube.
No começo, os freqüentadores do Praia desciam a pé, a partir do fim da atual avenida Afrânio Rodrigues da Cunha até a ponte do Marquinho, onde, antes dela, desviavam para a esquerda, passavam por cima de uma pinguela sobre o córrego São Pedro e seguiam por pequena trilha que margeava o rio Uberabinha. Lá na frente, depois do campo de futebol (que ainda não existia), onde estão algumas quadras de peteca, ficava a praiazinha. Atrás dela, o barracão com bar e vestiários.
O trampolim construíram depois, mas já tinham um salva-vidas – o seu Nenem.
Posteriormente adquiriram uma jardineira usada que ficava defronte à residência do sócio Oscar Miranda. O preço da passagem era quinhentos réis.
A rapaziada do comércio descia a pé, todas as tardes.
Durante alguns anos, o clube funcionou como propriedade de nove dos fundadores. Em 1945, a sociedade representada pelo sócio Fausto Savastano, adquiriu a área toda por CR$ 13.000,00 (treze mil cruzeiros). A escritura foi lavrada no dia 5 de março.
O fato pitoresco desses tempos primitivos foi a escolha das cores do clube. Os sócios debatiam, cada qual querendo que as suas cores fossem as escolhidas. Na verdade, as propostas eram baseadas nas cores do time de futebol de que os proponentes eram torcedores. Os corintianos queriam preto e branco, os flamenguistas preto e vermelho. Havia outras propostas menos efusivas porque com menos torcedores.
Roman Balparda assistia a perlenga sem dar palpite. Ele era uruguaio e não torcia para nenhum time brasileiro.
A discussão ora engrossava, ora esfriava, mas nada de solução. Aí, o Baparda entrou no meio:
– Pra acabar com essa discussão, as cores vão ser preto e amarelo.
– Mas que cores são essas?
– São do Peñarol. Acho bom aceitarem porque, assim, nenhum de vocês sai perdendo. Essa combinação de cores nenhum time grande brasileiro usa e nenhum de vocês torce pelo Peñarol, não é? Ninguém ganha e ninguém perde, não é?
Para que nem flamenguistas nem corintianos ganhassem a parada, todos concordaram.
E foi assim que o Praia Clube adotou as cores do grande time uruguaio (lá no fundo, o Balparda ficou feliz: ele torcia pelo Peñarol!).

Fontes: José de Oliveira Guimarães, Atas do Praia Clube.