Gustavo Hoffay – Agente Social

Sou muito observador e na grande maioria das vezes prefiro ouvir a ter que falar. Para algumas pessoas sou sujeito anti-social; sim, totalmente avesso a festas e a encontros inspirados por motivos que nada acrescentam positivamente à minha vida pessoal, familiar ou comunitária e o que, ainda, não possa ser revertido em prol de algo ou de alguém. Recentemente fui convidado a comparecer a um evento que contou com a presença de algumas importantes personagens das ciências humanas, os quais palestraram sobre os “desafios da desnutrição e do subdesenvolvimento social” em nosso país. Há quase trinta anos dedicando-me à área social – às vezes na qualidade de um profissional e na maioria das vezes na condição de voluntário, lá compareci na companhia da minha esposa Eliane enquanto portador de olhos e sentimentos de uma pessoa interessada no que seria o futuro da humanidade, a partir de uma pessoal análise das informações ali absorvidas. Homens engravatados e mulheres elegantes e finamente maquiadas lotavam todo o imenso auditório. Ao longo da apresentação de cada um dos palestrantes, eu era levado a pessoais análises a respeito de quão profundamente vivemos sob o signo do medo, das dúvidas e dado que ameaçados por engenhos que a sociedade produz ou, em outras palavras, pelo resultado do trabalho de nossas próprias mãos , pelo produto final daquilo que realizamos por meio da nossa inteligência e também de tendências da nossa vontade, muitas vezes egoísta ou mesmo absolutamente absurda e como é o caso da ânsia pelo poder ou de acesso a sedutores desejos e em todos os campos e níveis. Temo, por exemplo, que alguns dos maravilhosos e tentadores produtos desenvolvidos pela avançada tecnologia possam, um dia, se tornar instrumentos de uma catastrófica e lenta autodestruição e perante a qual os temas daquele evento acima citado passariam a ser tratados em segundo plano, perderiam o seu sentido, pois o progresso da técnica e da civilização poderiam dificultar um proporcional e necessário desenvolvimento moral e ético. Ora! Como tratar com alma e coração a subnutrição e o subdesenvolvimento humano se a nossa consciência é, não raramente, sacrificada em função das conquistas da tecnologia? Eu seria uma pessoa insana, se negasse os incríveis e fantásticos benefícios advindos da modernidade quando usados e explorados de maneira sadia, voltada para o bem, mas por outro lado observo que antigos e saudáveis valores tipicamente humanos entre eles o senso de fraternidade, solidariedade e o afeto sincero e mútuo, face a face, olho no olho e pele com pele estão se perdendo em muitas das áreas de nossa convivência. Penso que qualquer assembléia, convenção, fórum, seminário, reunião ou seja lá o nome que se dê a encontros de autoridades e representantes de alguma comunidade, jamais avançará se não houver uma verdadeira conversão de mentes pois, do contrário, de nada servirá toda a avançada tecnologia hoje existente e aplicada na forma de último recurso para superar barreiras no campo social. Valorizemos o ser enquanto encaminhando-o com amor verdadeiramente ágape para a verdadeira felicidade e o gozo da vida em plenitude, pois uma sociedade de aspecto puramente tecnológico condena o homem à escravidão. Peguemos, por exemplo, grandes empresas da área da tecnologia e será fácil constatarmos o alto grau de insatisfação e conseqüente turnover (alta rotatividade) de funcionários em curto espaço de tempo e onde, inclusive, não são raros os casos de transtornos mentais em função do trabalho ali exercido. Sou um utopista confesso e portanto sugiro que cada um de nós comece a se converter para o que e onde sentir-se melhor adaptado; daí passaremos a sentir o ambiente – social, cultural, familiar e profissional – no qual vivemos total e positivamente mudado, literalmente transfigurado. Em tempo: sugiro incluir o ambiente político nessa pequena lista e de maneira a transformarmos ou mesmo recuperarmos autoridades adictas de práticas deletérias à nossa custosa porém transfigurada democracia.