Dúvida atroz.
Tania Tavares – Professra – SP
Será que a cabeleireira Débora R. dos Santos foi punida por pichar a estátua da Justiça, ou por ter usado as palavras do presidente do STF?
Tania Tavares – Professra – SP
Será que a cabeleireira Débora R. dos Santos foi punida por pichar a estátua da Justiça, ou por ter usado as palavras do presidente do STF?
Dr. Flávio de Andrade Goulart*
Prossigo hoje na apresentação iniciada na última semana de alguns dados do Boletim IEPS – Data, publicado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) de São Paulo, sobre a evolução dos principais indicadores de mortalidade e morbidade em municípios e estados brasileiros. Hoje é feita a comparação entre os dados da Capital Federal, cotejados com outras capitais brasileiras, selecionadas por representação regional e população. Veja a tabela a seguir, com comentários mais adiante.
INDICADOR BRASÍLIA GOIANIA B. H. BELEM FORTAL. CTBA
EXPECTATIVA DE VIDA (anos) 77,4 75,3 76,4 74,3 74,4 76,3
POPULAÇÃO > 60 ANOS (%) 7,9 9,5 13,2 9,3 9 11,8
SANEAMENTO BÁSICO (%) 99,0 74,6 94,1 66,2 72,1 94
MORTALIDADE CAUSAS EVITÁVEIS (por 100 mil hab) 66,6 86,1 68,1 106,3 79,4 59,0
INTERNAÇÕES CSAP (por 100 mil hab) 763,4 513,6 748,5 663,3 714,2 718,4
COBERTURA ATENÇÃO BÁSICA (%) 63,2 62,7 100 48,5 60,3 63,3
COBERTURA VACINAÇÃO POLIO (%) 73,2 72,6 67,9 50,8 73,2 79,0
% NASCIDOS VIVOS PRENATAL OK (%) 71,6 74,6 84,3 56,1 65,4 86,7
MÉDICOS (por 01 mil hab) 3,92 4,27 5,97 2,3 3,19 3,54
ENFERMEIROS (por mil hab) 2,53 1,88 2,55 1,24 2,16 1,67
LEITOS SUS (por 100 mil hab) 167,63 247,31 204,84 181,56 219,6 151,75
LEITOS NÃO SUS (por 100 mil hab) 151,12 231,86 139,55 101,84 131,94 89.69
DESPESAS SAÚDE / hab (R$) – 1161, 2110, 752, 970, 1343,
DESPESAS REC PRÓPRIOS / hab (R$) – 532, 672, 384, 488, 605,
Essas informações mantêm correspondência imediata – ou assim o deveriam – com as condições socioeconômicas locais, mas nem sempre tal correlação é evidente, entre outras razões por problemas na coleta ou processamento das informações. Como exemplo, em Belém, que pode ser considerada uma cidade com indicadores sociais mais precários e onde a cobertura por atenção básica é a menor da série, o índice de internação por condições sensíveis à tal estratégia é simplesmente a segunda menor entre todas, atrás apenas de Goiânia, enquanto sua mortalidade por causas evitáveis é simplesmente a maior de todas.
Mas feita tal ressalva, sigamos em frente.
A expectativa de vida não varia intensamente entre os casos apresentados, apenas 3,1 pontos entre a maior e a menor cifra, mas de toda forma os valores maiores verificados em Brasília e Curitiba seriam compatíveis com uma estimativa socioeconômica sem dúvida mais favorável nessas duas cidades.
Da mesma forma, em termos da população acima de 60 anos, o maior índice de juventude encontrado em Brasília também soa verossímil, distanciando-se mais intensamente dos casos de Curitiba e Belo Horizonte
No saneamento básico, como seria de se esperar, o DF está na frente, porém seguido de perto por Curitiba e Belo Horizonte, com maior distanciamento de Belém, Goiânia e Fortaleza.
Uma avaliação da qualidade da atenção básica pode ser apreciada a partir de alguns indicadores, nominalmente mortalidade por causas evitáveis, internações por CSAP, cobertura da atenção básica, cobertura de vacinação anti-pólio e proporção de nascidos vivos com pré-natal completo. Verifica-se aí alguma discrepância, por exemplo entre as cifras de mortalidade por causas evitáveis e internações por CSAP, que deveriam estar correlacionadas, mas nem sempre estão. Em Brasília, por exemplo, a baixa mortalidade evitável, uma das menores da série, corresponde ao maior índice de CSAP. De toda forma não parece haver uma correlação direta entre a cobertura da atenção básica e estes dois indicadores, embora no caso de Belém a pequena cobertura da AB parece se refletir no alto índice de mortalidade evitável.
Até certo ponto discrepante, também, seria a correlação entre cobertura vacinal anti-pólio e de pré-natal vis a visa com a cobertura pela AB, tomando como parâmetro o caso de BH, onde os 100% de cobertura pela atenção básica não parecem produzir resultado melhor em vacinação do que em outras capitais com coberturas de AB mais reduzidas. Mas mesmo neste caso é preciso averiguar outros fatores presentes, pois no caso da atenção pré-natal, BH e Curitiba estão muito próximos, embora mantenham diferenças significativas na cobertura da AB. Mais uma vez, todavia, a situação de Belém parece reforçar a suposição de que a baixa cobertura de AB corresponderia e maus indicadores relativos à vacinação, pré-natal e mortalidade evitável.
Em termos de e enfermeiros por mil habitantes, o quadro é de grande variabilidade entre as capitais estudadas, mas podem ser apontados alguns aspectos notáveis. Assim, neste levantamento, ao contrário de outros (como na publicação Demografia Médica, do Cremesp), o DF não é o primeiro lugar em matéria de população de médicos no país, sendo superado por Goiânia e BH, pelo menos. Em termos de enfermeiros possui o DF situação de destaque, com cifras equivalentes às de BH e bem superiores às de Belém e Curitiba.
Em termos de leitos por habitante a situação do DF é também até certo ponto inesperada, pois está distante de ser a mais bem aquinhoada da série. Ao contrário, só é inferior à de Curitiba. Em todas essas cidades há visível regularidade na distribuição de tais leitos, com predomínio do setor público em todas elas, com proximidade de equalização entre público e privado vista apenas no caso de Brasília e de Goiânia.
No caso das despesas com saúde a análise fica prejudicada em primeiro lugar pela aparente não regularidade dos dados e em segundo lugar parla inesperada ausência de dados do DF no presente levantamento.
*Flávio de Andrade Goulart é médico, professor de Medicina na UFU e na UNB, secretário de Saúde em Uberlândia e sobrinho do poeta Carlos Drummond de Andrade
“Não importa quantas vezes uma cobra troca de pele, ela ainda será uma cobra. Pense nisto antes de permitir que certas pessoas voltem livremente para suas vidas.”
Marília Alves cunha
Todo político ama a popularidade, a sensação de que o povo o aceita, que abre os braços para recebê-lo, aquele prazer de andar pelas ruas da cidade e sentir a vibração boa e energética de uma população que anseia, às vezes, dizer apenas com os olhos e com o aplauso: gosto de você, estamos juntos. Coisa muito diferente do populismo, nada forçado, tudo espontâneo. E muito difícil de se ver hoje em dia, quando os políticos e suas ações ficam mais visíveis, graças às redes sociais que dificultam o esconder malfeitos.
Lula foi um líder popular, tinha melhores condições de lidar com o povo, sentir-se acolhido em suas andanças. Hoje sua desaprovação beira os 60% de acordo com algumas pesquisas de opinião e sua popularidade despenca notavelmente. Do começo de seu terceiro mandato até o momento, foi o governo de uma infinidade notável de erros que condizem com a qualidade de sua imagem perante o povo, caindo em queda livre. Lula sentiu a derrocada, apesar da presunção, a ponto de achar que faça o que fizer será sempre a representação do amor, do pai dos pobres, da alma mais honesta do mundo. As cidades o recebem com frieza, mesmo as palmas de seus fiéis correligionários estão flácidas, amiudadas, carentes de vibração, quase apagadas…E Lula percebe, seria muito difícil que não se atentasse para o fato de que a probabilidade de um 4º. Mandato a cada dia se escasseia.
Fazer o que, então? Mudar o rumo da trajetória? Procurar governar melhor? Gastar menos e com mais proveito para o povo? Enxugar a máquina pública? Parar de aparelhar o Estado com gente ineficiente, sem recursos técnicos para bem desempenhar seu papel? Tirar a cabeça esta ideia maluca que gastar muito e irresponsavelmente é bom para o Brasil?
Não! Nada disto! Isto tudo é balela, conversa de conservadores que nada entendem do assunto. Chamemos o Sidônio para imprimir à campanha eleitoral (já iniciada, só o Tribunal eleitoral não viu) um novo ritmo .É preciso reverter a impopularidade de Lula. Afinal, o governo está indo de bom a melhor, a comunicação é que está errada. É preciso mudar isto. Como dizia o nosso saudoso Chacrinha “quem não comunica se estrumbica”. Bem, até o momento o Sidônio vem errando nesta magia da comunicação. Quem viu a propaganda do Leãozinho do IR junto com a Ministra Macaé fazendo maldades com o precioso marketing, transformando tudo numa palhaçada de mau gosto sabe do que estou falando. E o pior: será que os mais de 3 bilhões que Lula pretende gastar em campanhas publicitárias este ano, alimentarão este tipo de acinte ao povo brasileiro?
Lula não precisa de publicidade, nenhum governo precisa de publicidade, exaltação a seus próprios feitos. O governo não tem concorrentes… Basta fazer as coisas necessárias de maneira correta, com muita seriedade e que vão melhorar a vida das pessoas como um todo, melhorar o Brasil. Planejar, realizar, entregar obras importantes não pela sua magnitude e opulência, mas obras que não podem esperar, tal a sua necessidade, tal a importância que terão na qualidade de vida dos brasileiros. Pacifique este país em estado de permanente tensão e disputa, desde que os grandes poderes da república esqueceram-se de procurar na CF, nos seus princípios e fundamentos, a medida verdadeira para o estabelecimento da justiça. Fique ao lado do povo presidente, não com atitudes e falas bisonhas. Foi o povo que o elegeu, não foi? Foi o povo que acreditou que daria certo, não foi? Cai fora deste beija-mão nojento estabelecido entre justiça, executivo e legislativo. Não adianta gastar o nosso dinheiro (mais de 3 bilhões, já pensaram?)para adquirir a popularidade perdida. As cabeças mudaram presidente, as cabeças evoluíram… Evolua também! Mudar de atitude sim, é o recomeço.
Listei, em meu rascunho, 25 erros que o governo vem cometendo assiduamente. Não vou colocá-los todos aqui, pois transformaria este texto numa coisa chata e que todos já conhecem, afetos que estão à política que se estabeleceu no país. Cito três que considero de máxima importância:
*Apelidar o Agro Negócio de fascista e nazista. O esteio da economia nacional deve ser tratado com o respeito que merece. Apele para o diálogo e bom senso para resolver problemas e nunca se esqueça, que em momentos difíceis, estes “nazi- fascistas” salvaram a situação com muito empenho e trabalho.
*Com a segurança pública beirando o caos, não tome e não permita atitudes a favor do crime e dos criminosos. A sociedade brasileira já está bastante onerada e sofrida com a violência cada vez maior que se instala neste país. Perdemos muitos pontos quando o país se vê tomado pelo crime e pela impunidade.
*Tenha excessivo cuidado quando nomear pessoas para integrar seu time no governo. Precisamos de gente que esteja disposta a trabalhar e que seja capacitado para exercer a função. Estamos cansados de pagar a ineficiência, o descompromisso e, por que não dizer, a política rasteira que se faz, aparelhando o Estado com excesso de gente e falta de inteligência. O Brasil parou por falta de combustível… Não adianta gastar em publicidade e deixar continuar as coisas como estão, no mais completo desgoverno!
*Nem só de assistencialismo pode viver um povo. Chega uma hora em que não mais será suficiente o esparramar bondades que apenas tornarão o país menor e as pessoas menos dotadas de liberdade e cidadania. E, por favor, desista de calar o povo através de regulação das redes sociais. Respeite a Constituição amplamente difundida, no tocante à liberdade de expressão que não põe limites a este direito. Silenciar um povo, expô-lo à censura não é próprio às verdadeiras democracias.
*Estamos atentos, nós brasileiros! Uma fumacinha de corrupção começa a aparecer no horizonte e dizem que onde há fumaça há fogo. Penso que não existe um brasileiro, seja de esquerda, centro, direita ou os que se julgam isentos a favor da corrupção, a não ser os que estão locupletando-se com ela. Não podemos mais aceitar que o monstro que nos aniquila moral e economicamente, tome assento definitivo neste ou em qualquer governo. A corrupção, vista sob qualquer aspecto é uma vergonha para a nação.
Antonio Pereira – Jornalista e escritor – Uberlândia – MG
Alguns moços de Uberlândia, em 1935, se uniram para comprar a área confinada entre o rio Uberabinha, o córrego São Pedro e as terras de João de Oliveira, com o intuito de criarem um clube. Eram eles: José de Oliveira Guimarães, Mário Guimarães Faria, Lourival Borges, Oscar Miranda, Roman Balparda, Enéas de Oliveira Guimarães, Gercino Borges, Boulanger Fonseca, Floramante Garófalo, Hermes Carneiro, José Carneiro Jr. e Fausto Savastano.
Entre eles, dois eram estrangeiros, o português José de Oliveira Guimarães, comerciante, e o uruguaio Roman Balparda, industrial, exportador de línguas bovinas enlatadas.
Hermes, José Carneiro e Fausto venderam suas partes a José de Oliveira Guimarães. Esses doze são os pioneiros fundadores do Praia Clube.
Tão logo se decidiu organizar o clube, que recebeu o nome de “Praia” por possuir uma pequena clareira, à margem do rio, como se fosse uma praiazinha natural, de pequenos seixos, fizeram a reunião institucional na sede do Uberabinha Sport Club contando com a presença de vinte e quatro pessoas que elegeram sua primeira diretoria encabeçada pelo farmacêutico Cícero Macedo.
Não faltaram colaborações oferecidas neste dia: o prefeito Vasco Giffoni doou ao clube dois contos de réis; o sócio José Peppe, que fazia parte do Conselho Consultivo, doou a renda de um espetáculo cinematográfico no Cine Avenida, de que era gerente, e o dr. Luiz Rocha prometeu fazer gratuitamente a planta de um pavilhão, que foi a primeira construção dentro do clube.
No começo, os freqüentadores do Praia desciam a pé, a partir do fim da atual avenida Afrânio Rodrigues da Cunha até a ponte do Marquinho, onde, antes dela, desviavam para a esquerda, passavam por cima de uma pinguela sobre o córrego São Pedro e seguiam por pequena trilha que margeava o rio Uberabinha. Lá na frente, depois do campo de futebol (que ainda não existia), onde estão algumas quadras de peteca, ficava a praiazinha. Atrás dela, o barracão com bar e vestiários.
O trampolim construíram depois, mas já tinham um salva-vidas – o seu Nenem.
Posteriormente adquiriram uma jardineira usada que ficava defronte à residência do sócio Oscar Miranda. O preço da passagem era quinhentos réis.
A rapaziada do comércio descia a pé, todas as tardes.
Durante alguns anos, o clube funcionou como propriedade de nove dos fundadores. Em 1945, a sociedade representada pelo sócio Fausto Savastano, adquiriu a área toda por CR$ 13.000,00 (treze mil cruzeiros). A escritura foi lavrada no dia 5 de março.
O fato pitoresco desses tempos primitivos foi a escolha das cores do clube. Os sócios debatiam, cada qual querendo que as suas cores fossem as escolhidas. Na verdade, as propostas eram baseadas nas cores do time de futebol de que os proponentes eram torcedores. Os corintianos queriam preto e branco, os flamenguistas preto e vermelho. Havia outras propostas menos efusivas porque com menos torcedores.
Roman Balparda assistia a perlenga sem dar palpite. Ele era uruguaio e não torcia para nenhum time brasileiro.
A discussão ora engrossava, ora esfriava, mas nada de solução. Aí, o Baparda entrou no meio:
– Pra acabar com essa discussão, as cores vão ser preto e amarelo.
– Mas que cores são essas?
– São do Peñarol. Acho bom aceitarem porque, assim, nenhum de vocês sai perdendo. Essa combinação de cores nenhum time grande brasileiro usa e nenhum de vocês torce pelo Peñarol, não é? Ninguém ganha e ninguém perde, não é?
Para que nem flamenguistas nem corintianos ganhassem a parada, todos concordaram.
E foi assim que o Praia Clube adotou as cores do grande time uruguaio (lá no fundo, o Balparda ficou feliz: ele torcia pelo Peñarol!).
Fontes: José de Oliveira Guimarães, Atas do Praia Clube.
Por Aluísio Eduardo Medeiros e Leandro Grôppo
A política sempre viveu do espetáculo. Desde a oratória retórica grega, passando pelos panfletos e cartazes dos movimentos do século passado, o uso do cinema, rádio, televisão, até a chegada da internet. Como um meio de comunicação transversal e imediato, as redes sociais passaram a ter relevância maior quanto mais os celulares e a conexão de dados se tornam mais acessíveis.
A rápida evolução tecnológica impactou a política cada vez mais. No entanto, a promessa inicial de aproximar as pessoas, na realidade, teve outro desfecho. As plataformas premiam a polarização. Não é à toa que as únicas indústrias que tratam seus clientes com o nome de “usuários” são a das drogas e redes sociais.
Em meio ao caos de informação, quem grita mais alto muitas vezes vence a disputa de atenção. E quem mais engaja, pelo medo ou pela raiva, acaba por definir os debates, independente se está ou não falando a verdade. Nesse contexto, o político que admite um erro, explica uma decisão impopular ou se recusa a simplificar temas complexos vira alvo. Em contrapartida, discursos polêmicos geram seguidores, curtidas e compartilhamentos.
Na comunicação digital não basta ter um bom projeto ou visão de longo prazo. O que repercute é transformar o fato em espetáculo digno de nota. Se não for emocionante, não engaja. Se não gerar revolta ou devoção, passa despercebido. Assim, as redes transformam a política em uma eterna eleição, onde o argumento muitas vezes tem menos força que a forma como é contado. E os resultados só valem até a discussão do tema do dia seguinte.
Mas a realidade não se curva a roteiros elaborados e vídeos bem editados. O meio (de comunicação) não substitui o fim (o Tripé da Gestão). Obras inacabadas continuam fazendo falta, independente do discurso. A insegurança não desaparece, por mais que haja edição e textos prontos. E a prática política, feita no dia a dia, segue valendo muito. Pois mesmo que com atraso, o real se impõe ao virtual. Sem entregas, os métodos se exaurem e não tem comunicação que salve.
Topázio de Florianópolis, Manga de Sorocaba, João Campos de Recife e Alysson de Mossoró, exemplos de políticos com comunicação digital de impacto possuíam algo em comum antes do resultado das urnas em 2024. O mesmo que em 2022 Zema tinha em Minas, Caiado em Goiás e Ratinho no Paraná: gestões bem avaliadas.
Afinal, mesmo em tempos de inteligência artificial, algoritmos patrocinados e discursos radicalizados, a verdade pode não ser fácil de viralizar, mas ainda é o que importa. E no fim, quando as telas se apagam e as trends, hashtags e dancinhas perdem força, o que fica é o resultado percebido na vida das pessoas, que vale mais do que qualquer like.
Ana Maria Coelho Carvalho – Bióloga – Uberlândia – MG
Na mídia, notícias sobre calor extremo são constantes. Por exemplo: 2024 foi o ano mais quente já registrado; o Rio Grande do Sul, recentemente, registrou temperaturas extremamente altas, acima de 40 °C; na América do Sul, o número de mortes relacionadas ao calor aumentou 160% entre 2018-2022; os efeitos na saúde são marcantes: entre 2000 e 2019, cerca de 489.000 mortes relacionadas ao calor ocorreram a cada ano no mundo. E por aí vai.
Esse é um assunto extremamente sério e preocupante. No entanto, José Simão, colunista da Folha, consegue abordá-lo de maneira divertida. No artigo “70 °C? Vou virar torresmo!” escreveu que mora em um país tropical, mas não tem uma nega chamada Tereza. Que em fevereiro avisaram que a sensação térmica poderia chegar a 70 °C, então o mês deveria se chamar “fervereiro” . E que grau já era, vale agora é a sensação térmica, aquela sensação de quero ficar pelado. Conta que o marido perguntou pra mulher: -“Se eu dormir no terraço pelado o que os vizinhos vão dizer?” A mulher respondeu: -“Que eu casei com você por dinheiro”. Rarará! Comenta que a nossa pele vai fritar, virar torresmo e vamos todos morrer de overdose de suor. E o Brasil vai derreter e virar uma poça de suor, a chamada frente frita. A gente acorda pra torrar! O calor é tanto que o poste da rua de um amigo dele pegou fogo sozinho. E ele também pegou fogo sozinho! Fala que não são as calotas polares que estão derretendo, são as calotas do seu carro! E conta de um cartaz onde estava escrito: “ Faz merda não, hein! Sensação de 60 °C na praia, imagina na cadeia!” Deseja até mesmo ir para o inferno, onde é mais fresquinho. Argumenta que o traje oficial do Brasil, daqui pra frente, será bermudão e chinelo! Conta que o presídio da Papuda, onde estão ensaiando as marchinhas “Unidos da Papuda” e “Me dá um golpe aí”, já é chamada de Nova Dubai: muito quente e cheia de milionários! Conclui que o bom mesmo é dormir na gôndola de congelados do Pão de Açúcar, de conchinha com um chester!
Além do mundo todo, há pessoas derretendo, mas não pelo calor. Li esta noticia: “O Lula está derretendo, reflexo da indignação das pessoas. Os partidos de centro já começaram a pular fora”. Ah, e sobre o Lula, José Simão escreveu: “Lula diz para o povo parar de comprar o que está caro, e supermercados dão férias coletivas. Rarará! E o preço do ovo? O problema do Lula não é o mercado, é o supermercado!”
Bem, brincadeiras à parte, o problema do aquecimento global é muito sério. Cada qual precisa fazer a sua parte, com ações dentro da possibilidade de cada um. Por exemplo, nas cidades, as ilhas de calor urbano com pouca vegetação e dominadas por asfalto, retêm o calor. Que tal plantar uma árvore na calçada e cuidar dela com carinho? Em áreas de pobreza e habitação precária, as escolas geralmente não têm ar condicionado, o que torna as crianças mais vulneráveis aos efeitos do calor. Que tal doar um ar condicionado para uma escola carente?
Enfim, mitigar os efeitos do calor extremo exigem ações globais, locais e individuais. Todos nós devemos fazer a nossa parte. Caso contrário, vamos mesmo virar torresmo, daqueles bem crocantes e moreninhos.